30/01/09
Gira o Mundo Quando.
De segunda-feira até ontem,quinta-feira, empresas nos Estados Unidos desempregaram outros 65000 trabalhadores.
Enquanto a crise faz vítimas em todo o mundo, Barack Obama simula indignação contra alguns incompetentes, gananciosos e corruptos executivos financeiros de Wall Street. Em entrevista à CNBC e ao The New York Times, Obama classificou como "shameful" e "the heigth of irresponsibility" o montante de bônus recebidos por esses aventureiros irresponsáveis(isso é por minha conta mesmo) em 2008: $ 18 bilhões e 400 milhões de dolares.
Como os bolsos deles estão cheios e o Estado vai continuar socorrendo suas instituições com dinheiro do contribuinte, inclusive o dos desempregados, as palavras de Obama causaram impacto suficiente apenas prá render manchetes de jornais. Até porque o que são 18 bilhões se comparado ao bônus de 700 bilhões que o governo está distribuindo entre os causadores da crise?
Shameful, também, é o Fórum Econômico Mundial. Além de não discutir nada interessante e faltar seriedade com as assuntos propostos, foi preciso que o eterno entrave entre judeus e mulçumanos "quebrasse o gelo", na suíça Davos. Sem motivos prá comemorar enquanto se enbebedam em vinhos e uísques (até porque este ano as doses de bebidas refinadas foram reduzidas) só mesmo um assunto que remete a insanos prá despertar interesse.
Depois de falar durante 12 minutos contra os ataques de Israel à Faixa de Gaza, o primeiro-ministro da Turquia Tayyip Erdogan não conseguiu respeitar o limite de 60 minutos para cada Painel de discussões e se retirou do local esbravejando contra o mediador e contra o presidente de Israel, Shimon Peres.
É,sim,verdade que Shimon Peres defendeu os ataques israelitas durante 25 minutos (mais que o dobro de Erdogan), mas Ergodon já havia contado com o apoio às críticas à Israel do secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, e do emblemático Ban Ki-moon. Ou seja, o Painel já estava desiquilibrado - a favor de Ergodon.
Por esse barraco, Ergodon foi recepcionado em seu país como um herói em potencial da causa de Alá. Pelo menos prá isso o Fórum Econômico Mundial ainda serve.
Enquanto Obama se faz de surpreso com as extravagâncias capitalistas e o encontro de Davos parace mais um boteco prá discussão de insanidades...
Lula discursa ao lado de Hugo Chavez, Rafael Correa e Fernando Lugo, no Pará. A linguagem e o "senso comum"(segundo definição do sociologo FHC) do presidente continua provocando arrepios na "classe pensante" brasileira. Desdenham, fazem um monte de piadinhas , enquanto um ex-sindicalista, 3 índios e um padre revolucionário mudam os rumos da América do Sul. (E as antas continuam se olhando no espelho imaginando ser uma janela em Paris).
Lendo a íntegra dos discursos dos presidentes latinos, nenhuma surpresa, nenhuma novidade (pelo menos pr'a quem acompanha e compreende já há algum tempo suas teorias e práticas) . Apesar de comedidos, é perceptível o contentamento dos ex-comunistas com o fiasco das instituições financeiras e do momento propício pr'a demonizar,definitivamente, o (clichê) neoliberalismo. E não adianta alguém fazer careta ou torcer o nariz: a capacidade de convencimento deles é cada vez maior e seus planos,apesar das resistências, cada vez mais viáveis.
O que tudo isso pode representar em termos de perspectivas eu ainda não sei precisar. Os acordos firmados,nessa semana, entre o ditador cubano Raúl Castro e o presidente russo Dmitri Medvedev também são indícios consideráveis.
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2 comentários:
Reiner. Por essas e por outras, por Chavez e los otros, é que acho que latinoamerica no es todo eso no, por supuesto, em meu horroroso portuñol: eles ainda nos levarão de volta às tribos, querido! E o glorioso Forum Social Mundial (respondendo teu precioso comentário no meu blog) continuará sendo apenas um contraponto a Davos, que pra ele se lixa, e que a grande maioria usa como curriculum ou para fazer turismo barato, nas casas dos nativos. Ainda prefiro Obama.
Vive la différence, non?
Diferenças a parte, querida, Maristela, eu também receio pelo futuro que nos proporcionará os novos ditadores (pelo menos de parâmetros)da América do Sul. Tenho total aversão à Stálin e a Fidel e acho bom ficarmos atentos à essa demonstração de paixão do Lula pela democracia. Mas não dá mais pr'a ficar dando risada das piadinhas do Mainardi e do Reinaldo Azevedo enquanto eles ganham cada vez mais espaço. Eu sei que o bom humor é um meio eficiente pr'a dissimularmos o orgulho ferido mas enquanto o palhaço faz graça no picadeiro tem um megafone lá fora conquistando a a atenção da platéia e esvaziando o circo. O meu medo é que em breve coloquem fogo na lona e não sobre nem um mísero camarin pr'o palhaço esconder suas lágrimas.
Tomara que esses fantasmas sejam só meus. FORTE ABRAÇO!
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