Pois, então...não considero Danny Boyle um explorador de misérias. Pelo contrário, ele é um salvador, quase um santo. Ele não tem culpa nenhuma da realidade dos favelados de Mumbai. As experiências dramáticas de Jamal, Salim e Latika são apenas fotografias de milhares de outros "slumdogs" na India ou em qualquer outra favela do mundo.
Expor esse tipo de realidade através do cinema tem mais pontos positivos que negativos. Apesar de estar escancarada aos olhos de quem quiser enxergar, a realidade dessas comunidades costuma passar desapercebida seja pelos olhares do Estado, do burguês que vive ao lado em sua cobertura de luxo ou qualquer outro ser integrante da sociedade. No Brasil, por exemplo, entre outros, "Central do Brasil", "Cidade de Deus", "Tropa de Elite" e "Linda de Passe" costumam provocar surpresa nos espectadores de todas as classes sociais.
Se o conceito de arte merece questionamento nessa lente da realidade, pelo menos não vende a ilusão da perfeição de sociedade tão comum à indústria cinematográfica norte-americana.
Que tipo de realidade a Índia pode apresentar ao mundo? A divisão de castas propostas pelos deuses que faz um homem melhor ou pior que o outro? Os banhos purificadores na sujeira do Ganges? Tomar um leitinho na mesma bacia que os ratos beberam? Quem sabe dividir uma banana com um macaco na praça ou ser morto por atropelar uma vaca?
Não. Danny Boyle resolveu expor algo que pode ser identificado em qualquer lugar do mundo sem ser necessário uma aula sobre cultura indiana. Para cumprir sua tarefa contou com a estrutura da principal indústria cinematográfica indiana: Bollywood, já ouviu falar?
O resultado é o premiadíssimo "Slumdog Millionaire". O que Danny Boyle quis ele conseguiu: dinheiro,reconhecimento,status. Como disse o escritor Agnaldo Silva: "vamos deixar de hipocrisia - se alguém aceita carregar o fardo pesadíssimo que é escrever uma novela, só pode ser por uma razão: é o dinheiro, estúpido!" Em se tratando de um filme é a mesma coisa,não é?
A miséria dos favelados de Mumbai não mudou nada. Mas essa não é uma cruz que deve ser carregada por Danny. A realidade está escancarada aos olhos de quem quiser enxergar e Danny só permitiu que ela fosse exposta na tela grande do cinema pr'a quem quiser ver e enxergar.
Vale a pena assistir e desconsiderar minha incapacidade de demonstrar um tom irônico no último post.
4 comentários:
Concordo e discordo. Ele poderia- como vc falou no outro post- ter feito um documentário.É claro que é preciso denunciar. Mas que parece que "pesou" mesmo foi a grana.Não foi?
Preciso dela também- todo mundo- é o jeito mas a desprezo embora minhas raízes , de certa forma sejam burguesas. Nesta sociedade é assim, infelizmente.
Mas Daniel, Vc assistiu a um filme antigo- gravei essa situação para sempre, acho- com a Audrey Hepburn...Caramba, como é que esqueçoa agora o nome d filme?Enfim, vc vai saber, com certeza. Ela é ma florista e dois amigos fazem uma aposta em que um diz poder transformar qualquer mendiga numa princesa.E ganha a aposta.
Passa-se em Londres. Mas o que me chamou a atenção- entre tudo nesse filme que é lindo- foi a estória do pai dela que antes era mendigo e depois - por conta do dinheiro que passou a receber até por malandragem - perdeu a liberdade e virou Um mero "classe média" com direito a todos os ônus e bônus advindos disso. Ora, há certas obrigações, regras e comportamentos a cumprir para ser "aceitável" na sociedade não há?Ou vc opta e sai de circuito ou se enquadra senão sofre todas as consequências dessa sociedade doente e óbvio, adoece tb.
Ah, pôxa, o nome está na ponta da língua!
Não consigo aplaudir Danny Boyle agora. Não depois do seu post anterior..rs
Quem mandou vc ser tão convicente?
Beijoooo
Ps: Desculpa o monte que eu falei, por favor. Dá um desconto, okay?
Daniel, ia saindo daqui qdo vi ao lado o endereço do blog do Marcelo Rubens Paiva...Já leu os "coments" no meu post "É de Morte???"
Eis o que escrevi para vc lá ao responder a sua pergunta se eu jpá me desfizera dos daqueles pensamentos:
"Daniel..rs
Nem sei.Dizem que de perto ninguém é normal mas acho que de longe tb, viu. Eu penso o tempo todo! Dá um nó ,às vezes, por isso vou amadurecendo depois as idéias e pesando prós e contras...Mas aí a impulsividade já fez o que não devia.
Viu meu comentário anterior???
Sem falar tb que no post dele ele cometa o fato de quão pesado é carregar um nome de família(referindose ao primo que acabara de morrer e ao avô- vc deve ter lido pois foi no seu blog que encontrei o endereço).
Comentei- por alto-isso no meu texto sobre o Aluysio, pois ele tem o nome do bisavô tb.
Cara, tô com medo dessas "coincidências". Todo dia me aparece uma... Ou várias!!!
Beijossssssssssss
"Minha Bela Dama" é o nome do filme,LIA. Não posso fazer nenhuma analogia,por enquanto. Preciso assistir a Audrey primeiro.rs
E,claro,se um diretor da indústria cinematográfica, seja ele britânico,indiano ou brasileiro,quer se sobresair ou até mesmo viver da profissão que trate de se adaptar as "obrigações.
Nada condenável. Isso obedece aos mais primitivos instintos humanos.
No ocidente, de modo geral,atualmente China e India é modismo e Danny Boyle sabe muito bem disso.A Globo também, eu também, você também e os responsáveis pelas premiações na indústria cinematográfica também.
Se isso merece aplauso? Ah...pelo menos algumas palmas, com certeza.
(Estive no seu blog)BEIJÃO!!!
É...Não dá prá brigar com o mundo e principalmente o da moda.rs
Vi você no blog, não achou estranho toda essa estória?
Qto a impulsividade ,amigo, nem queira saber!!!!!rs
Beijooooo
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