Brasil indica seu primeiro embaixador na Coréia do Norte
O governo brasileiro indicou o diplomata Arnaldo Carrilho para o posto de embaixador em Pyongyang, capital da Coréia do Norte. Caso o nome seja aprovado pelo Senado, esta será a estréia da representação diplomática brasileira no país comunista.Segundo o Itamaraty, a instalação da embaixada é conseqüência da intensificação das relações políticas entre os dois países nos últimos anos, sobretudo em função da maior abertura econômica que vem sendo adotada por Pyongyang.
(Fonte:BBC Brasil.com - 22/11/2008)
Pois,bem! Quantas considerações podem e/ou devem ser feitas a partir desse pequeno enunciado,não? Eu começo lembrando que há poucas semanas o presidente George Bush anunciou a retirada do nome da Coréia do Norte daquela lista que ele convencionalmente chamou de "Países do Eixo do mal".
Essa iniciativa do governo americano não representa apenas um prenúncio de paz ou o fim do risco de uma provável guerra nos moldes USA x iraquianos e afegãos. Significa,também, que a comunista Coréia do Norte vislumbra mudanças que estariam,senão de pleno acordo,mais próximas do modelo ecônomico vigente em quase todos os países do mundo.
Por que essas mudanças interessam mais ao governo americano do que a "política do terror" e uma possível guerra se com essa tática a indústria bélica continua "aquecida" sendo um suporte significativo prá economia americana?
Tudo bem, não há petróleo nos mares coreanos. Mas há muito mais que isso. Há mais de 60 anos de história e estórias desde a invasão das tropas soviéticas ao norte e das americanas ao sul da então unificada Coréia.
Depois da sacramentada esmagadora vitória do modelo americano sobre o modelo soviético mundo afora,a Coréia é uma das últimas resistências. E se resiste não o faz fundamentada apenas na ideologia soviética.
Os limites geográficos com a China explicam muito mais a considerável audácia de Kim Jong-il.
Se as proximidades com a China explicam bastante dessa resistência, justificam ainda mais a iniciativa de Bush. A China que é a grande ameaça ao poderio econômico,político e ideológico dos Estados Unidos é o espelho dos norte-coreanos. Afinal, a China demonstra como ser possível abrir as portas para o capital estrangeiro, satisfazer instintos primitivos de seus cidadãos com base no consumo e no consumismo sem abrir mão da ditadura partidarista e da palmatória do Estado.
Aos americanos interessa essa abertura econômica. Afinal,para qualquer capitalista a conquista de qualquer novo mercado é,mais que bem-vinda, um princípio básico. Além de que, para quem tem o poder como principal objetivo,certos valores são tão significativos quanto os financeiros.
Manter influências num país que possui um exército de mais de 1.200.000 soldados,que propaga um programa de armas nucleares evoluído e que está localizado numa região estrategicamente importantissima é fundamental.
Como país de economia capitalista,ambicioso e governado por ex-esquerdistas das décadas de 60 e 70,o Brasil também tem seus interesses econômicos, geopolíticos e ideológicos na Coréia comunista(por enquanto). E o estreitamento das relações com Pyongyang será,com certeza,uma das maiores conquistas da eficiente política externa do ministro Celso Amorin e do presidente Lula. Economicamente já há resultados concretos: "Em 2007, as exportações brasileiras para a Coréia do Norte somaram US$ 122 milhões. Neste ano, o acumulado até outubro foi de US$ 169 milhões", segundo reportagem da BBC Brasil.
Poder participar de forma ativa das transformações nas relações da Coréia do Norte com outros países faz parte da ambição do governo brasileiro em fazer do país,sob vários aspectos, um líder mundial. (Everybody wants to rule the world).
Algumas décadas após as justificativas para as ditaduras getulista e militar,o "perigo comunista" já não existe mais e essa aproximação pode ser considerada uma evolução de nossas relações sob as óticas da diplomacia,da ideologia e do sistema político. "Nossos" comunistas e pseudosocialistas evoluíram intelectualmente e emocionalmente e esse estreitamento nas relações com Pyongyang não é parte de nehum plano escuso e,portanto, não representa nenhum "novo" risco. (As vezes não sei se uso pontos afirmativos ou interrogativos).
Parece que restará apenas Cuba do outro lado da cortina que por não representar nenhuma ameaça e não produzir petróleo continuará isolada. Até porque esse é o primeiro e último desejo de seu mandatário.